domingo, 26 de outubro de 2025

                                               Antonieta DFigueiredo digital art

  
A vida me ensinou...

A dizer adeus às pessoas que amo,

sem tirá-las do meu coração;

Sorrir às pessoas que não gostam de mim,

Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;

Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade,

para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;

Calar-me para ouvir; aprender com meus erros.

Afinal eu posso ser sempre melhor.

A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que

mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.

A ser forte quando os que amo estão com problemas;

Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;

Ouvir a todos que só precisam desabafar;

Amar aos que me magoam ou querem fazer

de mim depósito das suas frustrações e desafectos;

Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;

Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;

A alegrar quem precisa;

A pedir perdão;

A sonhar acordado;

A acordar para a realidade (sempre que for necessário);

A aproveitar cada instante de felicidade;

A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;

Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas",

embora nem sempre consiga entendê-las;

A ver o encanto do pôr-do-sol;

A sentir a dor do adeus e do que se acaba,

sempre lutando para preservar tudo o que é importante

para a felicidade do meu ser;

A abrir minhas janelas para o amor;

A não temer o futuro;

Me ensinou e está me ensinando a aproveitar

o presente, como um presente que da vida recebi,

e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha

que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher.

Charles Chaplin


                                  Antonieta DFigueiredo digital art


 


                                                digital art Antonieta DFigueiredo


 "A vida, as suas perdas e os seus ganhos, a sua

mais que perfeita imprecisão, os dias que contam

quando não se espera, o atraso na preocupação

dos teus olhos, e as nuvens que caíram

mais depressa, nessa tarde, o círculo das relações

a abrir-se para dentro e para fora

dos sentidos que nada têm a ver com círculos,

quadrados, rectângulos, nas linhas

rectas e paralelas que se cruzam com as

linhas da mão;


                                                    Acrílico sobre papel coleção                                                                                                       particular - Inglaterra.

a vida que traz consigo as emoções e os acasos,

a luz inexorável das profecias que nunca se realizaram

e dos encontros que sempre se soube que

se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com

quem e onde, nem quando; essa vida que leva consigo

o rosto sonhado numa hesitação de madrugada,

sob a luz indecisa que apenas mostra

as paredes nuas, de manchas húmidas                                                                                                                                

no gesso da memória;                                                                                             

a vida feita dos seus

corpos obscuros e das suas palavras              

próximas. "

Nuno Júdice

in, Teoria Geral do Sentimento


 

domingo, 25 de maio de 2025




Um barco atravessa as constelações, 
deixando um sulco de asa na superfície celeste. Viajante 
clandestino, oculto o meu sonho
na mala do porão. Ouço um choro de astros
amarrados ao mastro de fogo, e sinto uma queda 
de cometa no abismo do horizonte.

Desenho o seu rumo no mapa
da alma. Evito naufrágios; rodeio arquipélagos 
e recifes; procuro o centro do céu, onde
se esconde a visão de um último porto, com
o seu cais de cinza e uma erupção de lava
nos bolsos do nada. 

Então, acendo um cigarro na falésia
da memória. Os deuses seguem-me, apanhando 
as beatas que deixo pelo caminho. Correm, 
e ouço o bater dos corações num eco
de cansaço. Mas não me apanham, e
dobro a esquina do ocaso, vendo-os tossir
com o fumo da noite

De volta ao convés, reabro
o diário de bordo. E o barco continua parado
no oceano sem porto.


Nuno Júdice
in, Geometria Variável


                                                                                                                                                                                                   Digital art Antonieta DFigueiredo








quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Exposição Colectiva "Artes no Serrado" - ARTES Seixal


«A liberdade não é um estado, mas um processo; só quem sabe é livre. Só a cultura dá liberdade. Não proclamem a liberdade de voar, mas deem asas [...]. A liberdade que deve ser dada ao povo é a cultura».

Miguel de Unamuno

 

....A exposição Artes no Serrado, organizada pela ARTES – Associação Cultural do Seixal, mostra coletiva de artes plásticas, ao ar livre e em espaço público, apresenta trabalhos produzidos por artistas, associados e convidados, que responderam a este desafio com obras em diferentes técnicas e abordagens, traduzindo as diversas sensibilidades que convivem numa mancha mesclada e harmónica, manifestação de liberdade criativa, participação, envolvimento,  transformação e um incentivo à criação, na valorização do seu trabalho e no encontro destes com a comunidade, símbolo do espírito de partilha e de união.

Agradecemos à ARTES – Associação Cultural do Seixal, e aos artistas participantes, o entusiasmo e a sua entrega pessoal, de modo que, mais uma vez, se apresente à população do concelho uma exposição digna e que a todos nos orgulha.



A inauguração realizou-se no dia 18 de maio, sábado, às 17 horas, e contou com a atuação da banda da Sociedade Filarmónica Operária Amorense.


A minha participação com 4 telas alusivas á liberdade  - Antonieta Figueiredo

Poesia e imaginação



"Como se faz o poema
Para falarmos do meio de obter o poema,
a retórica não serve. Trata-se de uma coisa simples, que não
precisa de requintes nem de fórmulas. Apanha-se
uma flor, por exemplo, mas que não seja dessas flores que crescem
no meio do campo, nem das que se vendem nas lojas
ou nos mercados. É uma flor de sílabas, em que as
pétalas são as vogais, e o caule uma consoante. Põe-se
no jarro da estrofe, e deixa-se estar. Para que não morra,
basta um pedaço de primavera na água, que se vai
buscar à imaginação, quando está um dia de chuva,
ou se faz entrar pela janela, quando o ar fresco
da manhã enche o quarto de azul. Então,
a flor confunde-se com o poema, mas ainda não é
o poema. Para que ele nasça, a flor precisa
de encontrar cores mais naturais do que essas
que a natureza lhe deu. Podem ser as cores do teu
rosto - a sua brancura, quando o sol vem ter contigo,
ou o fundo dos teus olhos em que todas as cores
da vida se confundem, com o brilho da vida. Depois,
deito essas cores sobre a corola, e vejo-as descerem
para as folhas, como a seiva que corre pelos
veios invisíveis da alma. Posso, então, colher a flor,
e o que tenho na mão é este poema que
me deste."
Nuno Júdice




                                   digital art Antonieta DFigueiredo
 

sexta-feira, 19 de abril de 2024



"A tarde é a velhice do dia.

Cada dia é uma pequena vida, e cada pôr do Sol uma pequena morte."


Arthur Schopenhauer



                                               Antonieta D Figueiredo digital art
 


"O amor chegou, e desembarcou no cais,
onde ninguém o esperava, fazendo
a cidade inteira estremecer, como se
o amor a tocasse.
Mas alguém o viu sair
do barco, e levou-o para a fila
da alfândega, onde lhe perguntaram:
"Donde vem? Que traz consigo?
Mostre o passaporte."
O amor não percebeu
o que lhe pediam; pôs o arco sobre
a mesa, e juntou-lhe as flechas.
“Tudo apreendido: não queremos agressões
nesta cidade; proibidas as armas brancas.”
E o amor, sem passaporte, ficou no cais,
por entre sacos de lixo e vagabundos
sem nada para fazer.
E à noite, quando a cidade
adormece, todos perguntam
quando chega o amor."
Nuno Júdice
in “A Chegada do Amor”.